Exposição sobre mulheres que viveram relacionamentos abusivos na Oficina Cultural Alfredo Volpi

segunda-feira, julho 31, 2017

Exposição fotográfica, oficina e bate-papo com a idealizadora do projeto Karlla Girotto são algumas das atividades que convidam o público a refletir sobre o tema 

No Brasil, a violência silenciosa aprisiona milhões de mulheres diariamente. O país ocupa o 5º lugar no ranking de feminicídio de acordo com a ONU Mulheres. Além disso, 3 em cada 5 mulheres sofreram, sofrem ou sofrerão violência em um relacionamento afetivo. Para fomentar o debate sobre relacionamentos abusivos e machismo, a Oficina Cultural Alfredo Volpi, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo gerenciada pela Poiesis, recebe em agosto o projeto Eu sou muitas, de Karlla Girotto. A iniciativa inédita na oficina une por meio das artes visuais, mulheres vítimas de relacionamentos abusivos. A programação tem início dia 8 de agosto e reúne exposição fotográfica, bate-papo com a artista e oficina para confeccionar máscaras que posteriormente farão parte da exposição. 
A exposição reúne 14 fotografias de mulheres que participaram do projeto e criaram máscaras a partir do conto A dama do mar, adaptação de Susan Sontag para uma obra de Henrik Ibsen. A mostra passou pelo Sesc Ipiranga em 2016, e todas as fotos são resultados de um longo processo de leitura do conto, discussão sobre sociedades matriarcais – nas quais a noção ocidental do papel masculino patriarcal é deslocada e o eixo social e econômico é baseado na figura da mulher, e confecção de máscaras de acordo com as referências estéticas das sociedades apresentadas.
“A máscara tem inúmeros e importantes vínculos com o Eu sou muitas. É como se fosse possível elaborar uma pele a partir da qual a comunicação com o mundo se torna possível e, considerando as participantes, o anonimato é parte importante. Voltando ao texto no qual o projeto está baseado [A dama do mar], há uma passagem na qual diz que a personagem sente-se com a pele roubada e, ao fim do texto, parece estar bordando algo que pode ser interpretado como a sua própria pele. Após a confecção da máscara as participantes são convidadas a fazer uma foto com a nova pele, o novo rosto, e é essa fotografia que faz parte da mostra”, conta Karlla Girotto, idealizadora do projeto.





Na roda de conversa com a artista que acontece dia 8 de agosto, terça às 20h, Karlla fala sobre o processo de criação, a produção coletiva com as participantes das oficinas do projeto e a importância de falar sobre a violência doméstica para que o assunto deixe de ser tabu. “mulher que passa por violência doméstica tem vergonha de admitir, se acha fraca por ainda estar com um homem que a maltrata mesmo não tendo forças para sair da situação. E depois, quando consegue se distanciar terminando o namoro/casamento/relacionamento, demora um tanto para elaborar o trauma e começar a falar”, diz Karlla.

A oficina Convocatória aberta: eu sou muitas incentiva as participantes a criarem sua máscara e contribuírem com a exposição. Os encontros acontecem entre 22 de agosto e 12 de setembro, terças às 14h e as mulheres interessadas devem se inscrever na Oficina Cultural até 18 de agosto.

Karlla Girotto é artista, professora e pesquisadora nas áreas de artes visuais e moda. Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade PUC/SP, tem como principais eixos de pesquisa: modos de existência como produção artística, linguagens artísticas híbridas e processos de criação e produção de subjetividades. Coordena o grupo de pesquisa e propostas estéticas G>E, que gerou o projeto Ateliê Vivo – ambos sediados na Casa do Povo
juntamente com seu ateliê. Coordenou com Thelma Bonavita o grupo de estudos em moda e performance Mutantes na Sala de Jantar e o Como Clube de Desenh, ambos no Como Clube.
Participou de exposições na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museumsquartier (Viena, Áustria), Itaú Cultural, Galeria Vermelho, Ateliê 397, FAAP, Mostra Sesc de Artes, Semana de Design de Munique (Alemanha), Galeria Virgílio, Oficina Cultural Oswald Andrade, Museu da Casa Brasileira, Centro Cultural Banco do Brasil, Memorial da América Latina.

♥ Exposição: Eu sou muitas | Livre
De 8/8 a 30/9, terça a sexta das 10h às 21h30.
♥ Conversa com Karlla Girotto | Livre
8/8, terça das 20h às 21h30
Sem necessidade de inscrição prévia. Chegar com 30 minutos de antecedência no local | 30 vagas
♥ Convocatória aberta: eu sou muitas | 16 anos
De 22/8 a 12/9, terças das 14h às 17h

Inscrições gratuitas no local até 18/8 | 12 vagas

Sobre A Oficina Cultural Alfredo Volpi
Criada pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo desde 1986, a oficina de cultura trabalha com a formação de jovens profissionais em diversas áreas, como artes plásticas, dança, fotografia, moda, performance, processos gráficos e teatro. 

Sobre a POIESIS
A instituição, que tem por objetivo o desenvolvimento sociocultural e educacional, com ênfase na preservação e difusão da língua portuguesa, desenvolve e gere programas e projetos, pesquisas e espaços culturais, museológicos e educacionais voltados para o complemento da
formação de estudantes e público em geral. A POIESIS trabalha com o propósito de propiciar espaços de acesso democrático ao conhecimento, de estímulo à criação artística e intelectual e de difusão da língua e da literatura.

Oficina Cultural Alfredo Volpi
Rua Américo Salvador Novelli, 416 – Itaquera – São Paulo/SP
Horário de funcionamento: de terça a quinta, das 13h às 22h. Sextas e sábados, das 10h às 18h.
Mais informações: (11) 2205-5180 | 2056-5028 | alfredovolpi@oficinasculturais.org.br
Acessibilidade no local.

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