Chão é palco: espetáculo gratuito “Chorinho de uma roda só” percorre oito estações de trem de São Paulo

sábado, maio 27, 2017


Com direção e atuação de Rafael de Barros, destaque dentro e fora do país como uma das grandes revelações do circo contemporâneo, o show transforma locais públicos de passagem em espaços de arte e convivência

A turnê nacional do espetáculo cômico “Chorinho de uma roda só” da trupe “Exército Contra Nada” começa dia 31 de maio na estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) Carapicuíba e continua nas estações: Prefeito Celso Daniel Santo André, Mogi das Cruzes, Franco da Rocha, Osasco, Palmeiras-Barra Funda, Tatuapé e Luz.
O show de palhaçaria, equilibrismo e música apresenta uma narrativa sobre um palhaço carregador de bagagens em busca de superar as dificuldades cotidianas ressignificando sua existência e (re)encontrando seus talentos com a plateia das estações de trem.



O artista e diretor circense do espetáculo Rafael de Barros reconhece as estações não apenas como lugares de passagem, mas também de convivência. “Não é preciso ser um entremeio entre a casa e o lugar de trabalho, por exemplo. A estação de trem pode ser ressignificada com uma vivência coletiva de um mesmo evento artístico. A partir daí, passa a existir uma possibilidade. Espero que, depois, quando as pessoas estiverem novamente de passagem pela estação relembrem: ‘Aqui já foi um teatro, um circo!’”, comemora.


Depois da turnê nacional, o artista vai para Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia, com shows em circos, teatros e festivais de arte de rua. O público estimado para as apresentações é de mais de 8 mil pessoas de todas as idades.

“Chorinho de uma roda só” foi contemplado pelo ProAC (Programa de Apoio à Cultura) pelo edital “Produção e apresentações de número circense” e faz parte da pesquisa de mestrado do artista.


Roteiro e a arte do encontro

Ressignificando o espaço público e sua própria existência, um palhaço carregador de bagagens perambula com seus únicos bens: uma carroça com alguns poucos objetos e um banjo cavaco. E não passa despercebido: os objetos caem no chão e criam um primeiro espaço de diálogo sobre empatia.

O local também faz parte da mesma narrativa e sequência de ações do personagem. “O carregador de bagagens está nas estações, nesse lugar de passagem. É onde também trafegam questões como pertencimento, autonomia, ajuda coletiva e onde também acredito que está uma classe social que, muitas vezes por necessidade, assim como o personagem, aprende com maestria a converter dificuldades em novas possibilidades”, comenta o artista.  

O carregador está sem dinheiro e com o estômago vazio, perdido no espaço e no tempo,  busca sair dessas dificuldades criando um espetáculo. Porém, a carroça velha não ajuda, quebra e perde uma roda, transformando-se em um monociclo. O que parecia o fim da linha, transforma-se em uma nova possibilidade e em um grande desafio: apresentar um show em uma roda só.

Entre saltos e giros, o palhaço agora tenta equilibrar-se em seu novo monociclo ao mesmo tempo em que toca “Brasileirinho” – música ícone do chorinho, gênero que nasceu nas ruas do país no banjo cavaco, que está atrás da cabeça. Se conseguir tal façanha, essa é a primeira vez que se ouve falar do número na história do circo.


Serviço
Chorinho de uma roda só
20 minutos. Classificação: Livre. Grátis.
Todas as apresentações acontecem às 16h.

31/5 (quarta) – Estação Carapicuíba (à esquerda do saguão).
1/6 (quinta) Estação Prefeito Celso Daniel Santo André (na calçada).
2/6 (sexta) – Estação Mogi das Cruzes (na calçada).
5/6 (segunda) – Estação Franco da Rocha (embaixo do mezanino).
6/6 (terça) – Estação Osasco (no mezanino, lado calçadão).
7/6 (quarta) – Estação Palmeiras-Barra Funda (no fundo do mezanino).
8/6 (quinta) – Estação Tatuapé (no fundo do mezanino).
9/6 (sexta) – Estação da Luz (no saguão principal, em frente à Praça da Luz).

Sobre o artista

Rafael de Barros (1987, Santo André - SP) é pesquisador, ator, diretor, palhaço, músico e contador de histórias formado em Artes Cênicas com Habilitação em Interpretação Teatral pela UEL (Universidade Estadual de Londrina).

Uma das grandes revelações do circo contemporâneo, é criador do "Exército Contra Nada" (2010), um circo nômade que apresenta uma comicidade de linguagem universal, e que já percorreu as ruas de mais de 80 cidades no Brasil e também apresentou-se na Argentina, Peru, Espanha e Grécia.

Na mala do processo de criação estão desde desenhos e filmes infantis até referências do cinema, como as comédias mudas de Charlie Chaplin e Buster Keaton, que dialogam com palhaços contemporâneos que não utilizam a fala como o principal meio de linguagem, como o argentino Tomate, o russo Jigalov, o espanhol Leandre Ribera, os alemães da Familie Flöz e o estadunidense Avner auxiliando na construção de personagens e roteiros criados por Rafael. Outra referência para o artista é a série de televisão mexicana “Chaves” (El Chavo del Ocho).

Rafael já esteve em residência artística na CalClown (Escola de Palhaços de Barcelona), é articulador da RBTR (Rede Brasileira de Teatro de Rua), fez parte do elenco fixo do Plantão Sorriso e tem artigos publicados na Revista Anjos do Picadeiro e Revista Ocas”.  

Também trabalhou com os grupos: Trupe Tangará, Teatro de Garagem, Imago-Teatro de Animação, Cia. Circo do Asfalto, Trupe Volare, CLAC (Centro Londrinense de Artes Circenses) e fez consultoria para os números cômicos do espetáculo Discow ́s – Trupe Volare e dirigiu o espetáculo Mandrake – Cia dos Tortos.

Além disso, o artista fez oficinas com os grandes mestres contemporâneos do riso: Chacovachi (Argentina), Ricardo Pucetti – iniciação e avançado (LUME), Palhaço Tomate (Argentina), Cia. Familie Floz (Alemanha), Angela de Castro (Inglaterra/ Brasil), Joice Aglae Brondani (Cia. Buffa de Teatro), Loco Brusca (Espanha), Inês de Castro, Andrea Macera, Ésio Magalhães (Barracão Teatro), Zé Regino e João Carlos Artigos (Teatro de Anônimo).

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