Carta para a mãe de um homossexual

quinta-feira, março 10, 2016
A primeira e última coisa que eu tenho a lhe dizer, antes mesmo de começar e, principalmente, depois de acabar: não tenha medo de amar alguém por conta do que os outros vão achar.
Agora podemos começar.
E para começar, já vamos de cara descartar aquela frase maldita que me doí os tímpanos e destrói o coração: 

"Eu não tenho vergonha do meu filho gay, eu só me preocupo com ele e quero o proteger do mundo e da maldade das pessoas..."

Minha senhora, querida e cara mãe, homossexualidade não é doença para usar proteção, homossexualidade é característica da personalidade de uma pessoa, é parte intrínseca da vida e liberdade de escolher como enfrentar o mundo, e não motivo de vergonha ou chacotas, muito menos de agressão física e verbal. Por isso, ao invés de esconder seu filho, mostre ele ao mundo, o apresente com o respeito que ele merece e sinta orgulho de ter um filho saudável e bem sucedido que sabe o que quer da sua vida amorosa. 
Afinal, do que adianta se preocupar com o seu filho, e agir como todas as outras pessoas preconceituosas do mundo que não conhecem a homossexualidade? Querida, abra a janela e grite para o mundo que você tem um filho gay que vai ser médico, bombeiro, cabeleireiro, independente, grite que ele vai ser feliz porque você o apoia, mostre ao mundo que ninguém precisa se chatear com essa decisão, com essa escolha, porque você que o carregou em seu ventre pelos meses necessários para seu desenvolvimento, não se importa. Quebre os tabus! Lembre-se das noites em que você o amamentou, o "ninou", dos dias que você tentou -incansavelmente e inutilmente- o proibir de gostar de rosa, de querer ser dançarino, de querer usar maquiagem ou até mesmo de querer brincar com bonecas... 
Chore, chore alto, chore baixinho, chore com vontade. 
Sinta raiva, sinta muita raiva, e depois que você sentir todos os seus preconceitos a flor da pele, tome um banho e os elimine, perceba, que a sexualidade não define carácter, não muda quem você ama, não estraga as pessoas como muita gente pensa. Perceba que seu filho continuará sendo seu filho para sempre, mas você pode deixar de ser a mãe dele, por conta de um sentimento desnecessário que parte de uma sociedade cruel. Enfim, não deixe de ser mãe, mas deixe de ser "os outros" que o julgam, deixe de ser "os outros" que o apedrejam. Não tenha medo de amar seu próprio filho, por conta do que os outros vão achar.

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