Especial Halloween - contos

terça-feira, outubro 27, 2015
- Luck, olhe uma garota está pedindo carona, vamos parar!
- Acho melhor não, Tessa, está tarde, e nós nem sabemos quem pode ser...
Tessa avança a mão sobre a direção bruscamente, fazendo com que Luck pare o carro abruptamente no acostamento. Ele exclama alguns palavrões e diz que depois eles irão ter uma conversa sobre isso. 
Enquanto isso, timidamente, a moça do acostamento se aproxima do veículo.
- Olá, você precisa de uma carona querida?
- Tessa! - Exclama Luck.
- Eu adoraria – Responde a moça de vestes brancas e cabelos vermelhos como o fogo.
A moça abre lentamente a porta e se instala no assento do meio, deixando seus olhos verdes fixos no espelho retrovisor. O carro começa a andar e Tessa liga o som para espantar o clima pesado. 
Mas algo estranho acontece e o rádio começa a cantar uma música em outro idioma, ela olha para Luck que simplesmente parece não notar.
- Luck você está escutando isso?
- Claro meu amor, eu adoro essa música. – Ele olha para Tessa e sorri, movimentando sua cabeça no ritmo das batidas lentas e pertubantes.
Luck então começa a cantarolar o que parece uma mistura de latim com outras palavras, que possuem de fundo uma voz melancólica e gritos de socorro. Tessa desliga rapidamente o rádio e começa a admirar a paisagem da viagem para esquecer o acontecido.
Enquanto o carro anda, Tessa pega no sono. 
Quando finalmente acorda, o carro está distante e ela sente o corpo sacolejando, alguém a está carregando, sua mente gira, gira e gira. 
Sua boca está seca e ela não sabe onde está. Então, Tessa adormece novamente.
- Onde estou? – Grita Tessa ao finalmente conseguir despertar de seu transe.
Ninguém a responde, a escuridão atrapalha sua visão, ela já está quase desistindo de gritar quando um vulto branco passa rapidamente na frente de seus olhos. 
Com toda sua força, Tessa grita, grita e grita, mas nada acontece.
Depois do que pareceram horas, Luck retorna e traz em seus braços um lençol preto, Tessa se assusta e começa a chorar. Luck se aproxima, mas já não é mais o Luck, seus olhosestão negros como a noite que cobre a cidade de Kansas. Sua língua agora é semelhante a de um réptil, ágil e fina, a saliva escorre de seus lábios, enquanto ele se aproxima lentamente de Tessa. Em um sussurro ele revela o dentinho da pobre moça:
- Você não deveria ter oferecido aquela carona. Agora você vai pagar.
Ele acaricia os seios de Tessa enquanto pronuncia palavras que fazem parte de um ritual. 
A moça de vestes brancas e cabelos cor de fogo se aproxima e se despe, revelando uma nudez incomum, seu corpo é branco como a neve. Luck se aproxima dela e estende o lençol preto que carregava em suas mãos aos pés dela. Ele retorna até Tessa e retira o roupão que cobre seu corpo, deixando ela nua. Tessa chora e grita ao mesmo tempo. Seu desespero, suas clemencias fazem com que os dois fiquem mais excitados. 
Luck e a desconhecida mulher, fazem sexo no lençol negro na frente de Tessa, mas no meio do ato, a moça retira uma faca de sua garganta, e começa a mutilar as partes do corpo de Luck. Em seguida ela o devora lentamente.
Tessa Desmaia.
Amanhece, os pássaros cantam e Tessa acorda pensando que tudo não passou de um sonho, mas quando ela fixa os olhos no chão, o lençol preto e os restos mortais de seu noivo Luck ainda estão lá. Algo se movimenta na parte escura da floresta. Tessa entra em alerta, seu coração dispara e, em segundos, ela se encontra com o ser mais horripilante que já viu em toda sua vida.
Era uma figura parecida com um homem vestido preto, que trazia em sua face um sorriso perturbador e lábios gigantes, seus olhos eram grandes lacunas, e seus cabelos pretos tocavam o chão. A misteriosa moça veste seu roupão branco novamente, enquanto lambe suas mãos, em seguida curva-se diante da criatura e pronuncia as palavras:
- Ó pai, tome o corpo dessa jovem como um presente meu.
A criatura se movimenta e levanta a moça, acaricia seus seios, e beija sua boca. Em seguida se dirige a Tessa e começa a arrastar pelos cabelos para onde se encontra sua casa.
O corpo de Tessa e os restos de Luck nunca mais foram encontrados, e então as autoridades os deram como fugitivos por terem sido vistos em fuga da cena de um crime que tinha acontecido naquela mesma noite, três crianças e seus pais haviam sido brutalmente “devorados”.

Conto escrito por Angélica Silva.

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