Especial Halloween - contos

domingo, outubro 25, 2015
DICA: leia ouvindo.

     Era uma Sexta-Feira gelada em Dezembro 2007 em Whitehall, a empresária Christine Evans deixava o cemitério Greenwood após enterrar a avó que já apresentara sinais de enfraquecimento por conta de um grave tumor descoberto tardiamente.
     Quando chegou em casa, Christine separou as coisas de sua falecida avó, algumas coisas seriam vendidas ou doadas, outras simplesmente ela decidiu jogar no lixo. Havia muitas coisas que a avó de Christine gostava de guardar. A maioria dos objetos faziam relação com crenças ou religiosidade, em sua maioria, velas, imagens ou bilhetes com orações manuscritas. E entre as coisas que foram para o lixo, estava um velho cachimbo artesanal que para Christine não havia utilidade alguma. Junto do objeto, uma caixa com três velas aromáticas e um papel dobrado no qual havia uma mensagem: Se me chamar, nós vamos brincar.
     Anoitecera e Christine havia combinado com seu namorado de que ele a buscaria em casa para que saíssem juntos no intuito de se distraírem, assim ela não precisaria passar a noite sozinha depois de um dia tão triste como aquele.
     Para relaxar, Christine preparou um banho quente, deixou a banheira enchendo e usou as velas de sua avó, para aromatizar o banheiro. Elas eram esverdeadas e tinham cheiro de alecrim. Christine procurou manter-se tranquila, suspirou e vagarosamente adentrou a água.
     Apesar de as velas aromáticas estarem queimando no banheiro, Christine começou a sentir um cheiro estranho que parecia vir de fora daquele ambiente. Era cheiro de tabaco. Para ela não era assim tão estranho, pois seu namorado frequentemente fumava e já que os dois haviam marcado um encontro, ela imaginou que ele estivesse dentro de casa.
   - Christine, cheguei!
   - Tudo bem, já vou!
      E na ansiedade de poder abraçar seu namorado, Christine acelerou o banho. Desligou a torneira, saiu da banheira, se enrolou na toalha e caminhou para dentro do quarto onde se vestiu apressadamente.  Ao voltar para o banheiro, ela notou que as velas aromáticas haviam se apagado. A escuridão do ambiente não permitiria que ela encontrasse sua escova de dente. Ao bater a mão no interruptor, a luz que se acendera no teto, revelou a palma de uma mão carimbada no espelho ainda coberto pelo vapor do banho quente.
   - Amor, você veio aqui? – Christine perguntou em voz alta, pois ainda não vira o namorado.
     Dois segundos depois, Christine ouviu uma nova mensagem de texto chegando no celular. Ela caminhou de volta para o quarto e ao apertar a tecla “OK”, visualizou a mensagem de seu namorado: Já estou a caminho, chego em 20 minutos.
     O coração dela disparou. O frio no interior do estômago lhe percorria a espinha e o ar parecia faltar. Afinal, de quem era aquela voz? E a marca da mão no espelho do banheiro?
   - Quem está aí? – ela perguntou em voz alta.
     O cheiro de tabaco ficou mais forte e Christine começou a ficar apavorada. Uma densa fumaça branca se formou diante de seus olhos e ela lentamente virou a cabeça para trás. Quando seus olhos se depararam com a cena defronte a retina, ela simplesmente não quis acreditar no que estava vendo. O cachimbo artesanal que ela jogara no lixo, estava queimando em cima de sua escrivaninha, como se alguém o estivesse fumando.
     Um grito escoou da garganta e ela correu para fora do quarto. Apressadamente desceu os degraus que davam acesso a porta da frente e ao abri-la se deparou com o carro do namorado estacionado em frente a casa. Ele lentamente se dirigiu a ela na intensão de abraça-la.
   - Amor, estou assustada, estou com medo...
   - Não se preocupe, Christine, eu não vou te machucar. Mas se me chamar, nós vamos brincar.
     Ela novamente sentiu o coração disparar e o estômago se congelar. Ao encarar o namorado, não era ele quem estava ali. 

Conto escrito por Lucca Pietro

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