Entrevista: Gui Liaga, agente literária

quarta-feira, agosto 19, 2015


O mercado literário nunca esteve tão em alta como está hoje em dia e a quantidade de autores só aumenta.
Mas você sabe qual é o processo para lançar um livro? Ou melhor, sabia que nem tudo é o autor e a editora que fazem? Pois é, alguém ai sabe o que é uma agente literária? Conhece uma? Sabe o que ela faz? Onde ela vive?
Só amanhã, no Globo Repórter ~plim, plim~
Mentira, é agora e aqui no blog!
Bati um papo com a Gui Liaga, a coisa mais fofa e radical do meio literário, agencia várias autoras sensacionais, dentre elas a Babi Dewet e Íris Figueiredo, que indicamos por aqui nas dicas de livros para ler nas férias. 




♥ Gui, primeiro de tudo, explica para gente: o que um agente literário faz?

Muitos autores, principalmente os iniciantes, não possuem o interesse (ou paciência) em procurar uma editora que fale e trabalhe o seu público-alvo ou mantenha o melhor planejamento de lançamento e divulgação esperado. Não conhecem profundamente a lei de direitos autorais e nem quando podem recorrer a seu favor. Quem escreve nem sempre está familiarizado com os métodos de produção e edição, de como funciona todo o esquema de comercialização e distribuição. O agente assume esse papel, dando as orientações adequadas ao autor. Nem sempre o contato direto do autor com o editor é explorado da melhor forma possível, por isso a figura do agente é essencial. O agente é responsável principalmente por encontrar a editoria ideal para um livro de seu agenciado e fechar o melhor contrato possível. 

♥ Quando você era mais nova, logo que terminou o colegial, já queria ser agente? Ou isso nunca te passou pela cabeça? Como foi seu primeiro contato com esse mundo?  

Eu queria ser jornalista e cientista política, mas percebi que detestava ser repórter. Meu perfil sempre foi mais para cronista e colunista, até editora e revisora, do que para caçar matérias na rua e cobrir eventos e campanhas. Eu estava trabalhando 10/12 horas por dia e não estava feliz, então larguei tudo e fui atrás do que me deixaria bem. Foi quando a Babi Dewet quis transformar SAN de fanfic para livro e eu a ajudei em todo o processo editorial e pensei “taí, por que eu não trabalho com livros?”. Com SAN independente fomos para a Bienal de São Paulo em 2010, com uns 50 livros na mala, e começamos a conhecer pessoas, editoras, autores e ingressar no meio. Comecei minha pós graduação em Negócio do Livro e nela tive o primeiro contato com uma agente literária de verdade e fiquei fascinada, porque na verdade eu nunca quis ter uma editora, eu queria mesmo era descobrir novos talentos. Cinco anos depois, aqui estou começando a abrir a minha própria agência, a Página 7.




Gui mostrando a matéria que saiu a Babi falando sobre fanfics (Instagram)



 Aliás, no que você é formada? E para ser uma agente, que curso é o ideal? Ou existe mais de um e aí é só ir se especializando, com pós e assim por diante?
Fiz jornalismo e pós-graduação em Negócio do Livro. A pessoa pode fazer Letras, Comunicação Social ou Produção Editorial. Na verdade, acho que ela pode se formar no que quiser, não existe um curso específico. É preciso ter o feeling, entender do mercado editorial, ler muito e possuir um networking literário. Ser conhecido no meio é muito importante para um agente, e ter autores de sucesso também.

 O que as pessoas falam da sua profissão? Por exemplo, quando você vai preencher ficha médica e coloca na profissão “agente literária”, as pessoas te olham estranho, pelo fato de ainda não ser algo muito conhecido?

Eu uso a profissão jornalista para quase tudo, mas quando é em uma conversa eu explico o que é ser agente literário. Imagino que vá demorar muito ainda para que a profissão seja do conhecimento de todos, mas faz parte. O ruim é que alguém sempre tem uma ideia ou conhece alguém que escreve e cisma que eu preciso publicar! hahaha

♥ A gente se viu na bienal de 2014 e vi que você estava surtando, ajeitando o pessoal pra lá, pra cá, arrastando uns pra conhecer as autoras, conta como isso funciona? Você dá uns puxões de orelha no pessoal, uns gritos pra botar ordem na bagaça, como é?

É engraçado porque muita gente, até amigos próximos, dizem que eu sou muito dura e passo um medinho nas pessoas, mas na verdade eu sou a maior mané. Contudo, quando é evento, principalmente de grande porte como uma Bienal, é preciso pôr ordem na bagunça! E eu acompanho os autores para que nada dê errado e possa corrigir os eventuais problemas que ocorrem. Também os obrigo a beber água, comer e ir fazer xixi! Checo a roupa, vejo se estão cheirosos, puxo a orelha para não serem mal-educados, às vezes quando tem muita gente acaba que alguém pode ficar sem um pouco de atenção. É um trabalho de produção mesmo, preciso ficar ligada em tudo para que dê certo.

 Rola um boato por ai de que você é o Darth Vader da turma, confere?

Na verdade eu sou o Imperador Palpatine, mas o Vader se veste muito melhor! HAHAHA Assumi também a identidade do Olho de Sauron, porque eu persigo meus autores e eles não fazem nada sem eu saber! Estão me chamando de Drag Mom também! Socorro.


Olho de Sauron
 Como é a relação entre você e suas autoras? Aliás, quantas e quais são?

Eu me dou bem com todos meus agenciados, cada um é de um jeito porque pessoas são diferentes. Tem autor que gosta de me mostrar cada etapa e pede opinião em tudo, até ajuda em redes sociais, e tem autor que vai me atualizando por semana como está o processo. A relação de agente e autor precisa ser próxima e ter muita confiança. Para saber mais dos meus agenciados, só ir no meu site.

 Qual é a melhor parte de ser agente literária, além de ler as histórias antes de todo mundo?

Ler antes de todo mundo nem é legal porque você não tem mais ninguém com quem discutir além do próprio autor e aí quando o livro é lançado você já está focado nos próximos trabalhos e perde aquela euforia. A melhor parte é ver o projeto se tornando real, quando tem capa, sinopse e o texto diagramado meu coração fica apertado e eu penso "nossa, todos esses meses de trabalho estão resumidos em um livro só”. Eu fico muito empolgada e emocionada.

 O que você diria para alguém que quer seguir a mesma profissão que você? Algo que você sempre pensa “nunca me disseram isso, mas deveriam ter dito”?

Entenda do mercado que você quer entrar. Busque muitas informações, procure cursos e leia muito, sem nenhum preconceito quanto a gêneros literários. É importante também ter sangue frio e saber a hora de confiar ou não, principalmente ao fechar um contrato.

♥ Muita gente vem tomando coragem e escrevendo, muitos autores nacionais sensacionais estão aparecendo e não temos como negar que isso é uma coisa recente. Qual seria a sua dica para quem quer lançar um livro? Qual seria o primeiro passo? Entrar em contato com uma editora, pensar na capa do livro, em uma sinopse, na própria foto para a orelha...?

A primeira dica é escrever, sério. Muitos autores iniciantes estão cheios de ideias mas não terminam seus textos. Depois é preciso passar por uma análise, nem que seja de betas e pessoas próximas, e de uma revisão precisa. O autor pode buscar um agente para apresentar o seu original para a avaliação e pedir um parecer literário ou ir direto nas editoras. Contudo, muitas empresas só aceitam originais oriundos de agentes ou que são indicados por alguém de confiança do meio. É um processo demorado, pode levar até 90 dias a resposta de uma editora. Estar presente nas redes sociais e buscar resposta do público-alvo é muito bom também para analisar a força que sua história pode ter. E o autor tem que controlar a ansiedade e ser paciente, é um longo caminho até a tão sonhada publicação. 

 Fofa – quem já leu Sábado à Noite, da Babi Dewet, vai entender a referência – muito obrigada pela atenção e um super beijo, desejamos todo o sucesso do mundo para você e suas autoras <3 

Awnnn obrigada a você por sempre apoiar meu trabalho e meus autores! <3

Conheci a Gui pessoalmente no ano passado durante a Bienal de SP, mas já nos falávamos há muuuuito tempo, por culpa de uma de suas autoras (Babi Dewet) e foi coisa de louco o encontro, melhor não entrar em detalhes HAHA 
Se você ainda tiver alguma dúvida sobre esse meio louco da agente literária, da uma olhadinha lá no site dela ou berra pelo twitter, ela não é esnobe e responde todo mundo HAHAHAHA
Bjbj e até a próxima!



Um comentário:

  1. Amei a entrevista, obrigada por esclarecer nossas dúvidas!!!

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