Para ler: 5 livros que todo brasileiro tem a obrigação de ler

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Nosso país é conhecido pelo futebol, por nossas paisagens, pela cultura e pela alegria.
Mas o que poucos lá de fora sabem, é que o Brasil é riquíssimo em literatura. Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Manuel Antônio de Almeida, Joaquim Manoel de Macedo, Afonso Taunay, Euclides da Cunha... Tenho certeza que você já leu algum por culpa da escola ou por causa do vestibular, mesmo não querendo. 
Eu, por exemplo, não era muito fã de literatura brasileira até a minha sétima série, quando meu professor de literatura me fez ler Dom Casmurro, coisa que ele se arrependeu de fazer, já que em todas as aulas eu ficava questionando tudo que ele dizia.
Sim, eu era um saco na aula de literatura, todos os meus professores dessa matéria diziam isso. 
Mas foi graças a esse meu professor da sétima série, que hoje em dia carrego com orgulho um acervo enorme de livros brasileiros lidos e milhões de questionamentos que provavelmente nunca terei respostas.
Às vezes me pergunto se alguém também tem os mesmos questionamentos que eu, se passa pelo mesmo desespero de saber que nunca terá a resposta, por exemplo, Capitu traiu ou não traiu? Acreditem, já pensei tanto que em algumas teorias que começavam com a certeza de que traiu, no final a traição não fazia tanto sentido mais. 
Pensando nisso, decidi listar para vocês os 5 livros que, na minha opinião, qualquer brasileiro tem a obrigação de ler.

1. Dom Casmurro 
"Os sonhos do acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e das nossas recordações"

A obra é narrada por Bento, que com mais ou menos 60 anos tem muito o que contar da vida. Quando era criança, Dona Glória, sua mãe, perdeu um filho e então jurou que se tivesse um segundo, este seria padre. 
No seminário, Bento conhece Escobar e viram melhores amigos. Juntos, conseguem convencer os pais a retirá-los do seminário e provam que não tinham vocação alguma para o celibato, então Bento se forma em direito e conhece Capitu, aquela com olhos de cigana oblíqua e dissimulada e se casam, enquanto Sancha, melhor amiga de sua esposa, se casa com seu melhor amigo Escobar. Bom, Bento não sabia o que era oblíqua, mas ainda sim a chamava dessa forma. Bento pensava que estava completamente feliz, até o momento em que Ezequiel nasce, fruto de seu amor com Capitu, para fazer companhia a Capituzinha, filha do casal de amigos. A história vai indo muito bem, obrigada, até que por uma fatalidade, Escobar morre.
Durante o velório, Bento percebe que a esposa se porta de modo exagerado e então enfia na cabeça que alguma coisa estava errada na história.
E ai, traiu ou não traiu?
Bom, que atire a primeira pedra quem nunca quis dar na cara do cabeçudo do Bento! Chega um ponto que você não sabe mais se ele é louco, paranóico, chato ou se é retardado mesmo... Machado que me perdoe, mas eu sinto um ódio interno grande demais por esse cara!

2. Memórias de um Sargento de Milícias 
"O coração da mulher é assim; parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece."

É uma trama complexa que se forma a partir de histórias que acontecem aleatoriamente, mas que se relacionam em um momento ou outro.
A história de Leonardo começa antes mesmo dele nascer, começa com o primeiro contato de seus pais, Maria da Hortaliça e Pataca, que se conheceram no navio que os trazia de Portugal para o Brasil. Através de uma pisadela e um beliscão, um interesse mútuo nasce eles começam a namorar. Maria engravida e decide voltar para Portugal, deixando a criança para Pataca criar, mas o cara se recusa e o deixa com o padrinho, o Barbeiro, que se dedica totalmente ao menino.
Pataca acaba se envolvendo com uma cigana, que também o abandona. Cansado dessa vida de ser abandonado, decide recorrer à feitiçaria, que era proibido nessa época. Tudo estava indo bem, até o Major Vidigal o flagrar, então Pataca fica pouco tempo na prisão e é solto.
Enquanto isso, Leonardo decide que quer ser coroinha e o padrinho vê ali uma oportunidade grande ao afilhado, porém, o garoto acaba aprontando na igreja e é expulso. Pouco tempo depois, conhece Luisinha, uma menina rica e se apaixona, mas o envolvimento dos dois é interrompido pelo sem graça do José Manuel, que acaba casando com ela.
A falta de sorte com mulher é passada de pai pra filho, é coisa da genética, gente? 

3. O Cortiço 
"Confio nos meus dentes, e esses mesmo me mordem a língua!"

Outra história com muitos personagens e histórias aleatórias, mas que e cruzam. 
A história se passa no Rio de Janeiro, quando João Romão fica rico não só graças a sua obsessão por trabalhar, mas também por roubos que realiza e a exploração de Bertoleza, uma coitada que acredita que ele possui sua carta de alforria. Ele acaba se tornando proprietário de alguns cômodos de aluguel e da pedreira que fica nos fundos do terreno. 
Com todo o dinheiro, Romão acaba refinando seus gostos e costumes, logo deixando Bertoleza para trás.
Enquanto isso, Miranda, um comerciante de tecidos muda-se para o sobrado ao lado do cortiço. Possui contatos na alta sociedade, contatos esses que Romão almeja, então os dois estabelecem uma aliança e logo Miranda planeja um casamento entre sua filha, Zulmira, e Romão.
Quando Jerônimo, um homem honesto e bem aparentado aparece, chama a atenção de todos no cortiço, principalmente de Romão, que o coloca como gerente da pedreira e de Rita Baiana, que o seduz e o faz largar sua esposa para ir morar com ela. 
A situação do povo daquele cortiço era uma coisa de louco, quando lia imaginava gritaria, tapa, confusão, provavelmente foi um dos livros que mais gargalhei durante a leitura. 


4. Memórias Póstumas de Brás Cubas
"Eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor."

Brás Cubas era rico e solteiro, mas que não se deu paz nem depois de morto, já que decidiu narrar sua própria vida.
Na infância, o moleque era o capeta. Principalmente na vida da Dona Eusébia, uma amiga querida da família e que tinha casos adúlteros, o garoto fazia questão de gritar para os quatro ventos à respeito dos casos da senhora. Sem contar na juventude, quando se envolveu com Marcela, uma prostituta de luxo que tirou um bom dinheiro dele, até seu pai descobrir e o mandar para a Europa, estudar. 
Quando volta, acaba conhecendo e se interessando por Eugênia, filha de Eusébia, mas a despreza pelo fato de ser manca.
Quando se encontra com Virgília, uma namorada da juventude que agora era casada com o poderoso político Lobo Neves, acabam se envolvendo e o adultério dura anos, até se aproximar de Nhá Loló, com quem decide se casar, porém a moça morre e os planos de casamento são interrompidos. 
Logo seu pai decide que o filho deve se dedicar a carreira política, então Brás exerce, porém sem talento e paixão alguma.
A narração de sua própria vida é feita de uma forma totalmente irônica e sempre com toques de comédia, Brás faz questão de focar em certos momentos, que com toda certeza nos dias de hoje seria como "Por que eu fiz isso? Eu era trouxa ou o que?" ou "Sério que isso aconteceu mesmo? Que bosta."


5. Moreninha 
"O certo é que eu sou e quero ser inconstante com todas e conservar-me firme no amor de uma só."

O romance tem início quando os estudantes de medicina Augusto, Leopoldo e Fabrício vão passar o feriado na casa da avó de Filipe. 
Logo de cara, Filipe faz a seguinte aposta com Augusto: se ele voltasse do feriado sem ter se apaixonado, Filipe escreveria um romance, por ter perdido. Mas se Augusto se apaixonasse, ele quem deveria escrever.
Em um jantar, Fabrício revela a todos o quão namorador e inconstante no amor era Augusto, o que faz todas as moças presentes o desprezarem, menos Carolina. 
Ele revela para Dona Ana que quando era pequeno, em uma viagem com a família para a praia se apaixonou por uma menina. Eles se aproximaram muito e acabaram ajudando um homem, como agradecimento o homem deu a Augusto um botão de esmeralda e a menina um camafeu. 
Essa era a única lembrança que tinha da garota, já que não sabia seu nome e mais nada, só lhe restavam as lembranças.
Depois do final de semana e de uma aproximação repentina entre ele e Carolina, Augusto se vê com saudades da moça, mas seu pai acha que esse sentimento estava o atrapalhando nos estudos, então o proíbe de voltar para vê-la.
Tempos depois, Augusto consegue voltar a ilha e se declarar para Carolina, mas ela o mostra algo que o deixa confuso e intrigado.
Ai, meu Deus, foi um dos primeiros livros que me fez chorar. Histórias que mexem com passado, amores proibidos e essas coisas me deixam totalmente apaixonada e emotiva, com toda a certeza do mundo, todo brasileiro precisa ler esse livro. 

O que contei foi só o começo das histórias, não pensem que acabam ali!
Esses foram os meus 5 preferidos, claro que existem outros, como O Auto da Barca do Inferno, O Auto da Compadecida, Iracema, dentre outros mil que se eu ficar citando, esse post vai ficar maior do que já está.
Espero que tenham gostado!

Bjbj e até a próxima!







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