Íris

quarta-feira, outubro 08, 2014
Como já tínhamos avisado, quartas feiras serão dedicadas para todos que nos mandam textos pedindo para postar e etc, e olha, depois que avisamos, a quantidade de textos recebidos cresceu e MUITO! Vamos postar todos e conforme for, iremos avisando as autoras. 
O de hoje é o da Ana, a primeira que nos mandou algo e é sobre o encontro que teve com seu ídolo, Drew Chadwick.

"Estava ali, olhando para os seus olhos, tão intensos e convidativos, como um mar pacifico e cristalino. Se disserem que os olhos são a porta da alma, então os seus com certeza seriam o espelho, porque era visível a doçura da sua alma refletida nas suas íris azuis. 
Não sei ao certo em que momento o mundo me pareceu parar de girar, o som me fugiu dos ouvidos e as palavras tomaram as mãos do meu raciocínio e brincaram de ciranda. Sei apenas, que naquele momento, eu fui inatingível. Nada poderia me roubar aqueles segundos em que minha preocupação fora mergulhar no mar pacifico e submergir até o mais profundo do seu ser. Se eu não acreditasse em ligações de almas, naquele momento eu seria convertida a essa ideia.
Talvez eu tenha corrido o risco de me afogar e nunca mais achar a superfície, na verdade talvez tenha chegado perto, talvez tenha sentido seus dedos me envolverem e me permitir ficar. Porém tão rápido quanto me afundei mais rápido ainda fui puxada para a superfície. Ridiculamente entorpecida por um olhar marcante, mas sem vergonha nenhuma por ter me permitido mergulhar em águas tão atrativas. Aquele era o fim, a conexão estava rompida e a realidade quebrava em cima da minha cabeça, como uma onde quebra, antes de beijar a margem. Fora efêmera de mais, porém monstruosamente significativo tão significativo a ponto de ser tatuado no amago do meu ser, para jamais ser esquecido.
Os braços ainda continuaram a minha volta, por mais alguns instantes, mas meu ser não estava mais a busca de toques carnais, ele havia se viciado no mergulho tranquilo que apenas nossas almas entendiam. Esse sempre foi o perigo, meu vicio irreversível que há tempos estava adormecido, como se tivesse viajado vidas para encontrar sua alma novamente. 
Ultimo toque, ultimo abraço, mas não ouve um ultimo olhar, porque minha alma gritava em desespero e se seu pedido fosse concedido pelos meus olhos, não teria mais volta, eu não sobreviveria a mais um mergulho. Sucumbiria com meu vicio, com a saudade, mergulharia tão fundo e não permitiria ser puxada para a superfície novamente. Esse não era o momento, não seria agora que nossas almas poderiam se encontrar em uma dança, com direito a musica raçoada pela realização. Esse fora apenas o momento para que elas se reconhecessem e seguirem sua viagem eterna novamente, estavam em busca de muitas coisas ao mesmo tempo e não tinham a certeza de quando se esbarrariam novamente, mas fosse nessa, ou em outra vida, as estrelas as guiariam se estiverem realmente fadadas a se conectarem novamente.
Agora acredito veementemente em um trecho perdido, em um livro de Emily Bronte, seja lá qual for o material de que nossas almas são feitas, a minha e a dele são do mesmo. Posso não saber exatamente como as almas são moldadas, quantas são moldadas da mesma forma, se todas irão se encontrar por toda a eternidade, se estão fadadas a passarem por momentos de agonia e saudade ou se podem se saciar com o encontro com outras. Sei apenas o que senti aquele dia, sei apenas que aquela era a sensação mais ensandecida a qual já havia experimentado e se a sentiria novamente ou não, eu não sei. Havia compartilhado um momento, havia ganhado uma paixão arrebatadora e se dizem, que na verdade as almas não se encontram e sim se reconhecem. Então eu havia reconhecido a sua e agora apenas ansiava por mais um encontro."


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